quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Perguntinhas "teste"

Ainda dando continuidade ao tema proposto pela Bárbara, conversei com uns colegas de outros cursos e eles me contaram as perguntas "testes" que já escutaram.

Sara Naftali – Publicidade

“Você deve ser criativa né?”

Henrique Yamaki – Engenharia Elétrica

“Você sabe trocar lâmapadas?”

Samuel Monzen – Medicina Veterinária

“Você quer ter um pet shop?”

Adalgiza Ortiz – Terapia Ocupacional

“Isso não é a mesma coisa que fisioterapia?”

Jurandir Xavier – Engenharia de pesca

“Você está estudando pra ser pescador?”

Hellen Barros – Nutrição

“Você sabe cozinhar?”

Elisa Calvete – Letras

“Você quer ser professora?”

Pelo jeito não tem como fugir dessas perguntinhas.

Conte pra gente se você já foi alvo de uma pergunta teste ou se já fez uma.

=D

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

RE: Pergunta "teste"

No post passado, a Bárbara levantou a questão da "pergunta-teste". Esta prática muito observada e sofrida por calouros universitários é um reflexo do senso comum de que o conhecimento é aprendido, e não socialmente construído.

Nós, muitas vezes obrigados a responder "peguntas-teste", também muitas vezes aplicamos "perguntas-teste". Alguém concorda?

Nossa educação, totalmente voltada para a formatura no ensino médio, aprovação no vestibular e ingresso na universidade - ou faculdade, ou cursos voltados para a formação técnica que melhor nos prepare para o mercado de trabalho - nos condiciona para o pensamento ilusório de que, com certeza e sem sombra de dúvida, aquele que possui um diploma é detentor de todas as "respostas-teste".

Mas esta expectativa é frustrada quando se tem a perspectiva de dentro desses cursos. Quem consegue chegar ao ensino superior tem a compreensão, ou pelo menos tem acesso a leituras básicas para a reflexão crítica deste senso comum.

Quem não percebe que a faculdade não nos ensina a consumir todos as informações publicadas pelo meios de comunicação para estar informado sobre o que se publica, ou, em uma perspectiva mais positiva e menos mecanicista, a realmente praticar os recursos das técnicas de apuração e busca pela informação para que se construa uma visão sobre o que ocorre na sociedade? Apesar de ser o debate e o despertar da criticidade um dos motivos para a nossa luta pelo reconhecimento do diploma - pelo menos, assim creio eu.

Mas nós mesmos referendamos o senso comum, continuando a reproduzir a segregação do conhecimento, dependendo da finalidade do impulso de sermos sabichões. Mesmo no interior do conhecimento científico, a divisão entre humanas e biológicas - e a mais radical entre estas e as exatas - nos leva a crer que um estudante de veterinária poderá dar respostas mais "exatas" que um estudante de jornalismo, possivelmente porque um não questiona as noções com as quais tem contato nos livros, e o outro, sim.

E, por mais que saiamos debatedores e críticos dessa realidade social, estamos sujeitos à grande mídia que, no olhar do consumidor e elaborador de "perguntas-teste", produz uma informação da qual devemos estar cientes e que representa a detenção do conhecimento.

Isso se reflete em práticas ainda após a graduação, quando quase sempre nos apoiamos sobre artigos jornalísticos para afirmar uma percepção, sendo que estas produções jornalísticas (os artigos) não necessariamente refletem uma opinião pública, mas ajudam a mobilizá-la.

O filósofo argentino Néstor Kohan, conseguiu reunir as noções de verdade presentes na história, que baseiam os nossos entendimentos, inclusive sobre a prática acadêmica e o conhecimento científico. Segundo ele, os meios de comunicação estão aí para influenciar a nossa noção de "verdade por correspondência", já sistematizada por Aristóteles, que consiste na consonância entre o que se diz e o que se observa, o que se passa na "realidade".

Ainda quando se busca o reconhecimento da comunicação como conhecimento científico, se está apenas procurando afirmar toda esta lógica da "pergunta-teste".

Afinal, me assutaria um elaborador de perguntas-teste que tomasse como verdade a resposta de um estudante de jornalismo, ou qualquer outro, sem uma réplica.

domingo, 26 de setembro de 2010

O profissional ‘sabichão’

Já percebeu que quando você fala para alguém que faz faculdade de alguma coisa, vem sempre uma pergunta ‘teste’? Pois é, essa pergunta teste para o estudante de jornalismo é diferente do que as dos outros cursos.
 Se você diz para aquela amiga da sua mãe que você cursa matemática, a pergunta teste é algo como ‘qual é a raiz de 482 mil?’. Se você faz veterinária, sempre surge um cachorrinho doente para descobrir qual o problema. Mas se você faz jornalismo, se prepare para a sabatina. ‘O que está acontecendo na política?’, ‘Quem é aquele homem que foi preso lá no Suriname porque matou a mulher?’, ‘Porque as baleias estão encalhando nas praias da Austrália?’.


O estudante de jornalismo tem que saber de tudo que acontece no mundo, e mais um pouco. Afinal ele estuda ‘noticias’, então ele tem que estar ligado em tudo!
Tá, eu acredito sim que o jornalista tem que saber de tudo um pouco, estar ligado em tudo que acontece, mas também não é assim, né? Não é porque eu entrei na faculdade ontem que hoje eu já sei de tudo que acontece no mundo.
A diferença é que na faculdade de medicina veterinária você vai aprender sintomas que levam a tal doença, e pronto, isso não vai mudar. Nós, meros estudantes de jornalismo, só aprendemos formas de apuração da notícia, essa que muda o tempo todo. Quem me dera que fosse fácil assim.
Ao contrário do que todo mundo pensa, o jornalista não é um profissional sabichão, adoraríamos, mas não somos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Viagem Online

A disseminação virtual de fotos em 360 graus, possíveis graças a utilização de aplicativos como os em linguagem java, permite que se façam tours online.

Quem busca no google os termos "nome da cidade/país + 360" pode não encontrar sempre uma resposta, mas terá resultados um bocado de vezes.

Em uma busca "chile 360", o resultado foi esta foto do museu ferroviário em Temuco, em alta resolução, aberta no real player, que resulta numa sensação de presença.












Valendo-se dessa tecnologia, a Comissão sobre a promoção do Peru para a exportação e o turismo desenvolveu um site magnífico que possibilita a visitação de nove cidades peruanas online.

Trata-se de um tour guiado, em que o guia narra a história do local visitado enquanto o visitante pode olhar ao seu redor, como se seus olhos estivessem em um ponto geográfico do país.

A trilha sonora é composta de músicas étnicas - com aquela espécie de flauta característica, encontrada, inclusive, em certas praças cuiabanas, quando um artista peruano (ou não) se propõe a tocá-la.

O site está disponível em inglês e em espanhol. O que não é um empecilho, pois assim já se pode ter contato com a língua local. Ouça o guia e acompanhe o texto falado, que é transcrito na página.

Buen viaje!

(Se houver dificuldade em entender a língua, a experiência visual continua sendo válida. Mas o governo peruano ainda disponibiliza um site turístico em português para quem quiser ter mais informações: http://www.peru.info/br/# )



*A tendência latina deste blog é apenas uma coincidência de posts. rs*

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cuestión de independencia – con palomitas de maíz (questão de independência – com pipoca)

Para usar uma fórmula jornalística, voilà, o gancho será uma data comemorativa.

Para flexibilizar o foco, a relação pode se desenrolar da seguinte maneira: o sete de setembro sempre levanta o questionamento da independência. A data histórica remete à atualização das nossas dependências e nos lembra os direitos humanos.

Para inovar, por que pensar em Brasil? Isso seria óbvio. Vamos falar então da Argentina, já que seus duzentos anos de independência rendem uma reflexão similar e pode ser embasada por produções cinematográficas inspiradoras...


O que importa no argentino “La historia oficial” (1985), é o roteiro. Para não desconsiderar a direção, que inclui a cativante atuação de Analia Castro, a garotinha que faz papel de filha, são ótimas sacadas as metáforas visuais quase explícitas sobre episódios da ditadura.



Mas o conteúdo, escrito pelo também diretor Luis Puenzo, em parceria com Aída Bortnik, rendeu o Oscar de melhor filme estrangeiro à película hermana.

O enredo mostra a vida de uma professora de história (Norma Aleandro) fechada em seu próprio mundo, vivendo de acordo com o estilo de vida do marido (Héctor Alterio). A relação conjugal é abalada pelo questionamento da mulher sobre a adoção da filha, que pode ter sido roubada de presos políticos durante a ditadura militar.

A tomada de consciência no filme se dá pelo contato com a história “não-oficial”, vinda à tona com as reivindicações públicas das “abuelas de La Plaza de mayo(episódio real e cujas protagonistas reivindicam até o prêmio Nobel da Paz - !) e incitada em sala de aula pelos próprios alunos. A presença de um professor de literatura mais esclarecido, que quase rende um pouco de romance no filme, também ajuda, além de uma amiga que retorna do exílio político.




O espectador presencia a mudança no ponto de vista da protagonista, que é um conflito psicológico dramático e envolvente. A atriz se encontra em uma posição em que a busca pela verdade certamente acarretará conseqüências, para as quais a preparação se dá durante a própria busca, não é prévia.

A divergência ideológica entre pai e filho, o dinheiro que compra o posicionamento e a separação histórica de vencedores x perdedores são questões levantadas pelo filme, merecedor de atenção mesmo sem premiação.

Em abril deste ano, quando o argentino “o segredo de seus olhos” (2009), do Campanella, rendeu ao país seu segundo Oscar de melhor filme estrangeiro, o Editorial da edição argentina da Le Monde Diplomatique tratou sobre os dois filmes e a relação com os direitos humanos.

Carlos Gabetta, também vítima da ditadura, expõe em um texto rico os sentidos de ambos os filmes e suas relações em contextos históricos diferentes. O artigo é intitulado “derechos humanos, pasado y presente” – um ótimo recorte temporal (o texto está em espanhol, mas é de fácil compreensão).

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Jornalistinhas de todo o mundo, uni-vos!

Se o nosso objetivo for alcançado daqui a um tempo, ele não precisará ser expresso novamente. Mas, por agora, é interessante dizer o porquê disso tudo.

Eu fui fazer um trabalho como estagiária e acabei encontrando duas jornalistas. A cinegrafista que me acompanhava chegou ao local da pauta e foi logo se enturmando com os colegas de profissão que trabalham em outras emissoras. Mas as jornalistas não.

As duas reclamavam do deadline, como caricaturas daquilo que se ouve por aí, e pareciam não fazer parte do ambiente em que estavam – como se para tanto precisassem exercer enorme esforço.

Longe de servir para uma generalização simplista do caso, o ocorrido é apenas um ocorrido, que demonstra a atitude de certos profissionais.

Mas assusta jornalistas iniciantes.

E é isso que nós três somos, apesar de, no momento, falar mais por mim. Jornalistinhas. Previamente cansadas de certas práticas que se repetem no nosso cotidiano, antes de nos formar. Em alguns momentos, até parece que o mercado se instaura dentro da universidade, como se devêssemos agir competitivamente a todo momento.

Pela união da categoria e crescimento sem distinção, a gente tem um objetivo simples. Trocar experiência.

O que ocorreu naquele dia comigo foi fruto apenas da falta de diálogo, para o qual os personagens da história pareciam um tanto quanto fechados.

Aqui vamos contar, a partir da nossa vivência de estudantes de jornalismo, a vida de estudantes de jornalismo. E tudo a que essa vida diz respeito, que na nossa profissão é tudo – generalistas que somos.