Na época em que “Kick Ass – Quebrando Tudo” esteve em cartaz nos cinemas cuiabanos, o filme “Salt”, com Angelina Jolie, também era exibido. Embaladas pela música “Bad Reputation”, as cenas de ação da heroína mirim Hit Girl, interpretada pela atriz Chloe Moretz, 13, não deixaram nada a desejar e fizeram concorrência fiel à veterana Jolie. Aliás, a trilha sonora rock’n’roll serviu para envolver o espectador e tornar prazerosa a experiência de violência proporcionada pelo filme.
O diretor Matthew Vaughn ( de Stardust ) fez a adaptação cinematográfica da história em quadrinhos para adultos Kick Ass à La Tarantino. A obra original, de autoria do desenhista John Romita Jr. e do roteirista Mark Millar, narra a história de um adolescente norte-americano comum e aficionado por HQs que decide se tornar um heroi sem poderes adquirindo uma roupa de mergulho no site de compras e-bay.
Apesar dos herois infanto-juvenis, a classificação etária da produção é de 18 anos. Logo no começo do filme, é de se espantar o realismo e acaso da cena em que o protagonista Dave, vestido do heroi batizado Kick Ass, é esfaqueado. O sangue escorre por sua fantasia verde.
A partir de então, a violência se torna recorrente em cenas como a em que uma garotinha trajando um colete a prova de balas é alvo do próprio pai, que empunha um revólver. E outra, em que mafiosos torturam uma vítima em um forno microondas gigante e que resulta na explosão do corpo, com carne e sangue escorrendo pela porta de vidro.
Só depois se descobre que a tal garotinha é a Hit Girl, e que seu pai é um ex-policial estimulado pela iniciativa de Dave a se tornar o heroi Big Daddy ( Nicolas Cage ) e vingar a morte de sua mulher, assassinada pelos tais mafiosos.
Pai e filha se unem com um objetivo diferente ao adolescente que, apesar da pretensa revolta contra as injustiças sociais, possui o objetivo vazio proporcionado pela fama de obter reconhecimento por parte das garotas.
As mídias representam um papel central no desenrolar da trama. Um vídeo amador com o herói Kick Ass em ação é postado no youtube. A partir daí, as interações virtuais em uma rede social e trocas de e-mails tornam o jovem Dave, cuja vida é quase restrita à internet, um fenômeno. O reconhecimento se expande quando a televisão passa a reproduzir o seu vídeo.
Mas Dave não calcula as conseqüências de sua superexposição e acaba sendo perseguido. A violência da vida real é mais brutal que a propagada pelos quadrinhos, onde os herois possuem superpoderes.
Os vilões do filme também utilizam os meios de comunicação para enganar o garoto e realizar a revanche. Só com o despertar de sentimentos reais como amor e amizade ele percebe ter chances de reverter uma situação criada pelo fascínio da mídia.
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